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terça-feira, 21 de agosto de 2012

/finjo tão bem


Nos bracos da noite me perco
Negra sem formas nem estorias
Sem rosto para recordar sem labios para provar
Sem a forca do beijo perdido nem do calor outrora sentido
Sem chuva la fora no vidro nem o cheiro do prazer sentido
Mas negra e escura e dura, talvez pura, a noite abraca me e finjo que o amor um dia sentido se encontra agora comigo sem cheiros nem chuvas nem historia nem calor, que sei que a verdade tem, mas finjo
E finjo tao bem...

domingo, 15 de julho de 2012

/sobrevivo

Sempre achei que havia nascido para voar bem alto, que era um ser especial abençoado com a estrelinha brilhante que só faz com que poucos tenham luz própria, tocado pelos deuses das artes. Sempre pensei que um dia seria grande e até o meu maior obstáculo foi ultrapassado e soube aprender a gostar de mim por fora como sempre gostei por dentro.
Mas tudo não passava de uma ilusão... a vida para mim ao invés de ser de mel, como sempre imaginei, foi moldada a fel e luz, só me chegou negra e escura e profunda.
Preso a um passado não muito distante, em sonhos continuo a subir todas as noites a um palco mágico e a receber aplausos loucos e emocionantes, todas as noites saio pela porta de artistas e sou recebido pelo melhor dos sorrisos e beijado pelos olhos dele. E este sonho não é ilusão, é realidade, uma realidade distante que no tempo certo não soube aproveitar ao máximo.
E hoje já não sou ninguém, já não há palco para mim, já não acredito em qualquer potencial que achei um dia ter, já não encontro beijos nos olhos de ninguém, já não encontro paixão nos meu próprios olhos quando me olho ao espelho.
Hoje sou banal, aquele adjectivo que sempre afastei. Banalmente sobrevivo ao dia a dia e vivo para me aguentar e ter os mínimos luxos que preciso. Hoje sou alguém que não move cabeças quando passo, e não gostando de quem sou, não consigo encontrar paixão por mim nem nos olhos de outra pessoa. Não sou extonteantemente bonito, muito menos apetecivel, não vivo a vida de sonho e o melhor dos meus dias são os longos sonos a que me obrigo.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

/... com amor para sempre

Amor?
Quem pode dizer que sabe realmente o que é o amor e como é amar? Quais os limites e barreiras que não podem ser transpostos para cairmos na loucura ou em estupidez... o que o distingue da paixão, da veneração, da idolatração? E é possível o amor ser eterno mesmo quando do sentimento não nasce fruto?
Mesmo após partires, mesmo após a dor que senti e o vazio que deixaste, nunca deixei de te amar e de me apaixonar sempre que te vejo. Mesmo na alegria de te ver feliz ao lado de alguém, há ciúme e raiva e ódio, de ti e dele e de mim. E crio ilusões e histórias que para mim são, mesmo que momentaneamente, reais, onde és protagonista de episódios eróticos e\ou apaixonantemente amorosos e em que eu sou esquecido... noutros imagino-me presente nos teus olhos e principalmente no teu peito e pensamentos; e por incrível que possa parecer, são esse os que mais me magoam.
Vivo nostalgicamente das recordações que guardo do nós e continuo a acompanhar os teus passos e a dar-te a mão quando precisas, mesmo que sofra de uma forma doente muitas vezes, imaginando, ainda,  aquela imagem tão cliché de nós dois nos últimos tempos de vida juntos a ver o nascer ou pôr do sol pirosamente felizes um ao lado do outro. E eu estarei feliz por continuar ao teu lado sempre, mesmo que distante do teu coração, mas presente na tua vida. Mesmo doente de amor platónico e infeliz e só estarei, por ti, bem acompanhado, mesmo quando me ignoras e me usas e tratas como queres pois sabes que estou ali, estarei sempre presente para ti e por ti...
E caiu no ridículo de me odiar a mim mesmo, chegando a ter pena daquela imagem que mostro frágil, vulnerável e doente... não sabendo já o que vês quando pensas em mim... se pena, se compaixão, se gratidão ou apenas um porto seguro da tua egoísta insegurança pessoal, esqueço o respeito que tenho por mim e continuo a rastejar por ti, e chicotear-me com o teu desdém e o meu amor (qual deles o mais cruelmente castigador) e choro...
choro por não te ter, choro por te amar, choro por tudo aquilo que é, talvez, o mais bonito em mim. O amor que encontrei em mim, pois até te ter nunca tinha imaginado possível existir tanta entrega e tanta devoção a outro como existe em mim desde que iniciámos aquele caminho juntos. 
Sei que poderão chegar muitos, mas o meu príncipe, que julgava perdido nos sonhos infantis, já me acordou do sono eterno e nenhum outro poderá fazer-me sentir uma história tão profunda como a que tivemos juntos.
Continuarei a seguir os teus passos e aplaudir as tuas vitórias de pé e ajudar-te-ei a ultrapassar as épocas menos boas, estendendo sempre a mão quando precisares de ajuda para te ergueres de novo. Acredito nas tuas qualidades e talentos e acredito naquele miúdo tímido e cheio de verdade que se passeou comigo pelas ruas de uma Lisboa antiga naquela noite de final de Primavera e mal me conseguia olhar nos olhos. 
E por isso repito:

"Teu fã de sempre....
                           ... com amor para sempre."

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

/perdido em mim

Há palavras que voam do passado directamente para o nosso peito e tal é a velocidade que trazem que o impacto nos estilhaça o coração em mil pedaços e em nano-segundos sentimos tudo e nada e o vazio enche-se de múltiplos sentimentos.
A raiva, a dúvida, a incerteza, a dor, o sofrimento.
Traição.
As palavras não ditas e as que só foram ditas pela metade magoam. Mesmo meses depois, anos depois de tudo acontecer.
Cai a noite em mim e nem as estrelas me fazem encontrar o caminho de volta. Fico assim perdido em mim. SEm tempo, sem horas, sem passado ou presente.
E sinto tudo já. No momento.
E percebo que ainda há amor e paixão pois só assim me posso continuar a magoar e anão me permitir seguir.
A felicidade sentida em momentos bons do presente não é suficiente para esquecer o que um dia tive e vivi. E não sei se será sempre assim...
Talvez deva deixar de ser egoísta, deixar de iludir quem me dá afecto e se entrega quando não estou pronto para me entregar a ninguém.
Talvez deva seguir em frente e perceber quem sou sem ele pois parece me hoje que ainda não percebi.