quarta-feira, 2 de abril de 2014

/memórias esquecidas

Rasga a página que escrevi. 
Apaga tudo o que disse no passado. 
Solta as folhas ao vento e queima as lembranças que prometi e nunca alcancei. 
Deixa o passado escondido no breu da caixa de sapatos das memórias, dos sapatos que já não nos servem, dos sapatos que perdemos à meia noite fugida numa escadaria do tempo perdido e agora já não nos servem. 
Olha para o futuro e dá um passo em frente. O segundo virá naturalmente. 
E quando deres por ti estarás num caminho só teu, longe de mim, mas seguindo as setas em direção ao destino certo... O mais certo de todos...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

/guitarra toca baixinho

Era uma vez uma guitarra que tocava sempre baixinho.


Tocava baixinho com medo de acordar a saudade. 
Tocava frases melódicas nunca antes ouvidas para não despertar as memórias; e tocava-as baixinho… 


Baixinho.. 

Não fosse alguém recordar-se de uma nota e trazer de novo a tristeza ao bairro desta cidade.


Esta guitarra já não chorava, as cordas já não tinham lágrimas, secaram; não fossem essas lágrimas desencantar o sono da voz da fadista.

                                                            (se a fadista se lembrasse do que era o
 fado
                                   as memórias, a saudade e a tristeza voltariam aquele bairro.)

Então a guitarra fingia-se alegre e tocava cantigas novas. 

Sem memórias, sem saudade, sem história… 



                                 E tocava baixinho, para não acordar as lágrimas da cidade.

/a dor sem o Fado

Desde o dia em que o Fado se calou.
Do momento em que a saudade se escondeu
Quando a guitarra suas lágrimas secou
Todos esqueceram o que era o Fado menos Eu.

Os poetas já não escrevem as verdades
Sobre o passado, a mágoa e o amor.
Criam versos onde reina a felicidade
Com receio de lembrar o que era a dor.

E agora aquelas cordas já não tocam
Os poemas da memória e da saudade.
O silêncio já bateu a cada porta
De silêncio enchem-se as ruas da cidade.

Vivem presos a uma falsa realidade
Por não chorarem as dores do passado.
O Fado chora e grita - é liberdade
E a cura desta dor é só o Fado .

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

/faz-me amar o teu amar

Nas tuas mãos, meu coração chora sangue que nao ves bate louco sem se notar Vive das noites esquecidas na tua cama. Fingidas as vontades de não ficar O meu amor é diferente daquele que tu sentes e da forma que tens de amar Eu quero a agua que bebes quero os beijos que nem pedes tu so te queres no meu olhar. De noit' entro no teu jogo Teu corpo vira meu fogo peço-te entao, para ficar. Faz de mim o teu leito, abraça-me sem me abraçar, adormece no meu peito, faz-me esquecer o meu jeito faz-me amar o teu amar

/pensantemente irracional

Os dias passam e cada vez mais sou menos alguém. 
O sol nasce e dorme, mas eu mantenho-me adormecido mesmo após acordar. 

Vagueio pela cidade em busca não sei bem de que, não sei bem de quem. Talvez de mim, do meu lugar. 

Mas cada vez mais me encontro longe da razão. 

Sou irracional. Pensantemente irracional. 

Tão perdido em mim que não mais me encontro. 
Essencialmente cansado de me procurar sozinho. 

Quem sou? 

E porque sou? 
E com quem devo ser… 

Já nem a luz da cidade me traz a antiga alegria fugaz. 

Já nem Lisboa tem espaço p'ra me procurar. 

Para onde vou? Para onde caminhar quando tudo o que sei está aqui?


Mas aqui... já não tenho para onde ir.

Os dias passam... Mas eu não passo com eles, passo por eles, entre eles. Cada vez mais sumido de mim.

/caminhante do luar

Morrer para o mundo dos caminhantes
nascer para a luz negra do luar.
Vaguear pelas ruas quase desertas do domingo citadino
em busca do alimento certo que sacie as minhas fomes.

Sou um bicho dA noite, 
um caminhante do luar. 
Sem pressas 
mas com fomes por saciar.

/hoje

Sofro constantemente a sede de amor eterno e paixão profunda. Sofro por não amar, sofro por não ser idolatrado, sofro por não saber viver a paixão.
E quando me apaixono, nos pequenos segundos de paixão que sinto ambiciono o eterno e perco os pequenos momentos que tenho que podiam alimentar uma vida; a minha vida.
Sofro depois por ter sido tocado pela paixão e a ter ignorado, sofro por não me amar por isso mesmo.
E de sofrimento em sofrimento esqueço-me de me amar e de amar o que me rodeia.
Esqueço-me de agradecer ter tantas mãos que me apoiam nas quedas e não falam nunca sobre isso, esqueço o amor gratuito que recebo, esqueço os pequenos momentos mágicos da vida e todas as oportunidades que esta me dá.
Hoje não ignorei um momento e não tive medo de o viver e foi mágico. Tornou-se mágico. Podendo não significar nada amanhã ou nos próximos amanhãs.... Hoje foi mágico.
Ás vezes os momentos bonitos limitam-se a acontecer e se os soubermos agarrar conseguimos ver a vida com uma luz mais nítida e esperançosa.
Hoje a noite transformou-se em dia com alegria no olhar e sorrisos envergonhados cheios de vontade e desejo sem malícia.
Hoje a energia explodiu em certeza e a certeza fez sentido.
Repito; amanhã pode ser uma memória e em outros amanhãs nem disso me recorde. Mas o sentimento vivido ficará para sempre.
Hoje agarrei a vida mesmo quando esta vida me fugia sobre quatro rodas, sem eu saber o que estaria a perder, regressou sem me aperceber no quão certo era permitir acontecer tal retorno.
E poucas palavras trocámos, e pouco contacto tivemos e poucas notas se soltaram... mas trocámos tivemos e soltaram-se certezas de "não sei que". E esse desconhecido é bom, é óptimo.

Hoje deito-me sem sofrer e com um sorriso nos lábios. e guardo as notas e palavras musicadas que ouvi na sua voz.
Hoje a paixão existiu e viveu-se; por momentos...