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terça-feira, 19 de abril de 2011

/15 minutos

Há um calor que me chega e não me abandona... um calor presente quando chego a casa e me deito... Tento dormir e não consigo. Não há suores nem transpiração, não há a vontade de abrir a janela e deixar entrar a brisa suave da madrugada. Há sim a vontade de me abrir a mim mesmo e deixar o meu interior apanhar um pouco de ar; de o oferecer ao mundo... de um grito...
Há a vontade de estar na praia à espera que o sol nasça, uma vontade de o ver aparecer por entre os edifícios e os montes explorando cada pedaço de breu com a luz da manhã enquanto eu exploro caminhos nunca antes percorridos e me deixo explorar por mãos e beijos que também desconheço...
Há a vontade mas falta a oportunidade e o desejo ou a coragem de arriscar na hora certa, no momento oportuno. Falta-me o onde e com quem arriscar... ela... não... não sou digno de pensar nela...
Oh, não posso recordar mais o seu olhar distante e rebelde de quem quer desbravar o mundo mas sem sair da sua redoma; não por receio... nem sei bem o porquê mas não pode ser medo... ela tem resposta pronta, é directa e objectiva... e sem querer faz qualquer um apaixonar-se por si em pouquíssimo tempo. O sorriso rasgado, o olhar por cima do ombro, a sua postura, o sorriso malandro, a forma como a vejo e imagino em câmara lenta, o seu pequeno sorriso cúmplice, a sua meninice, a juventude bem aproveitada, o chegar a mulher, uma mulher de saltos, de cabelo solto, de um andar gingando minimamente as ancas enquanto anda (o que se torna mais evidente quando dança); e quando dança é só para mim, mais ninguém está presente, mais ninguém me importa... e sonho, sonho que quando dança me seduz e que me chama para me juntar a ela e que me oferece toda a sua sensualidade... E imagino-a num cenário bem diferente: um vestido de alta costura que escorrega pelo seu corpo nu e o seu olhar de falsa inocente que rompe logo em chamas e me chama ao longe como se me sussurrasse ao ouvido e eu entrego-me...
Sei que não a amo, nem sei se poderei chamar paixão... talvez uma tesão constante... e uma vontade... um desejo...
E fico feliz por a poder ver todos os dias... é o melhor momento do dia quando apenas os dois sem mais nada nem ninguém nos despedimos. Custa partir mas é óptima a sensação de partilhar aquele momento...
Espero todos os dias por aqueles minutos... aqueles quinze minutos de final do dia...

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