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terça-feira, 19 de abril de 2011

/diário de um revoltado consigo próprio (um ano antes)

Chega-me uma incerteza... não sei se estou preparado para avançar, se tenho competência suficiente para continuar, se mereço o que me está a ser dado. Agora ao analisar a minha situação apercebo-me de que já tomei esta decisão há muito tempo e nem deixei algum espaço para viver a vida, para me divertir e crescer....

Agora uma pergunta atormenta-me cada vez mais:

Quem sou eu?

Esta pergunta inquieta-me há já bastante tempo e nunca descobri resposta para ela. Agora, não sei bem porquê, ela atormenta-me mais e mais. Talvez sejam os dias quentes de verão, ou talvez a duração dos dias, ou mesmo as calmas noites e o só ver passar da lua. Talvez nunca saiba o que é mas sei que é agora que dói e que é agora que sinto que tudo tem de acontecer... só não sei o que é tudo nem o que quero que seja.

Sinto-me só e com vontade de ter companhia, não estou na fase de que quero estar sozinho e tudo o que os outros me dizem é um erro do caraças. Agora acho que o que sempre pensei estar errado neles é o mais correcto – e ser jovem é isso: arriscar, viver ao máximo, lembrar Horácio e a sua filosofia...

Neste momento quero ser jovem, talvez alterar completamente a minha vida, os meus horizontes, os que me rodeiam e tudo o que faz parte de mim.

Quero encontrar uma nova forma de vida, de analisar o mundo de forma mais liberal, mais masculina, talvez mais sexista!!!



Normalmente a luta por um amor verdadeiro não é uma batalha travada por homens, diz respeito unicamente ao sexo feminino que sonha com um príncipe encantado, com a perfeição de sentimentos, com o “é ele!” que estala ao ouvido no momento certo, com o saber ser correcto o que mais pensa ser incorrecto... mas estes são sentimentos que também me incomodam a mim...


Tal como uma “menininha”, eu acredito no momento certo, no amor adequado (não no certo ou eterno, pois nada é eterno), acredito num olhar que nos prende, num intelecto que nos surpreende; e ao contrário dos “meninões” rejeito a conversa de engate, o encontro forçado, detesto raparigas fáceis e odeio gabarolices másculas.

Na realidade tenho de admitir que o meu... estilo... o meu modo de agir – isso não lhe posso chamar pois acredito num amante que encontra o amor passivamente- a minha ideia cavalheiresca de analisar o amor é inútil num mundo onde os homens se apelidam de metrosexuais, fantasiando-se de seres que compreendem a mente das mulheres, continuando a agir como cavalos em duas patas, e onde mulheres querem ser cada vez mais “livres” – ler-se “cada vez mais cavalo = homens”.



É com enorme tristeza que nos últimos momentos me tenho apercebido que a minha... teoria (sim, finalmente a palavra certa) está fora de contexto. As mulheres gostam de homens cavalos- belos arranjadinhos selvagens e rudes- e os homens continuam como sempre a gostar de mulheres (ponto – uma qualquer serve).

Eu gosto de um tipo de mulher- a que goste de mim, a que me chame a atenção, a que preencha intelectual e sexualmente e não poderá ser uma mulher de um momento só...





Fartei-me de pensar assim...




Já tenho dezoito anos; nem uma rapariga chega aos dezoito com estas ideias, tenho de mudar de... teoria... tenho de me inovar, ser mais século XXI, alargar os horizontes e experimentar...

E neste momento acho que estou a avançar para uma etapa sem passar pela anterior. Sempre fui um puto, realmente puto, mergulhado em pensamentos interiores, futilidades, sonhos infantis e depois penso no futuro ainda agarrado ao passado, querer ser homem sendo ainda uma criança e nunca ter passado pela verdadeira adolescência, sem nunca ter tido grandes aventuras, ter pisado com força o risco, enfrentado medos, errado sem receios... e agora acho tarde mas necessário, pois é preciso fazer isto, ter corrido estes riscos que a partir dos 121314 todos têm. E se é agora, aos 18, que me apercebo disto, então é agora que tenho de viver a vida ao máximo.

Tenho de me conhecer, de me encontrar, tenho de perceber quem sou e encontrar outros gostos e outras prioridades, pois o futuro que desenhei para mim não é o mais certo, talvez mesmo dos mais incertos e se me agarro unicamente a ele vou correr o risco de eu ser exclusivamente o meu sonho e eu não quero viver para algo que só existe dentro de mim.

Ok, não estou a dizer que quero abandonar a dança, apenas não quero viver só para isso, preciso de um tempo, de conhecer outras “miúdas”, estando com esta que sempre me acompanhou ao mesmo tempo... quero conhecer o mundo, todo o mundo e não só o que rodeia o meu sonho. Quero sair, apanhar uma cabra, conhecer alguém, fazer merda, optar por não a fazer...



Tudo o que realmente conheço da vida foram os outros, a TV e os livros que me contaram... eu que nem sei o que é o amor, o que é um beijo...

Vivi muito fechado dentro de um casulo com medo de enfrentar os outros, culpando-os pelos meus problemas e os meus defeitos. Hoje acordei e percebi que sou eu que estou errado e nunca fiz nada realmente por mim, fui eu que me fechei na sala de dança e não quis saber de mim, fui eu que me escondi de mim e dos outros.... E mesmo que esse EU seja um assassino, um cabrão, um reles, um revoltado, então só tenho de o aceitar e dar-lhe as boas vindas, agora só tenho de preparar a sua chegada seja lá ele quem for.

Depois analisarei com cuidado e perceberei se devo regressar ao meu antigo eu ou continuar a explorar este novo ser. Talvez deva procurar a diversão enquanto jovem e voltar ao meu eu apenas quando a altura certa aparecer...

É tempo de relinchar, mas primeiro terei de aprender! Vou arriscar e se conseguir serei feliz e o dia nasce de uma forma diferente amanhã; o mundo que espere por mim pois eu vou agir!!!!

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