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terça-feira, 19 de abril de 2011

/uma declaração de afectos

Saudade...
Nao sei se será a melhor forma de exprimir aquilo que quero que entendas que sinto mas pela primeira vez a saudade bate forte. Na verdade, sempre me disse ser pouco português pois este sentimento lusitano não me contagiava o peito com a mesma fervura que a todos os descentes de Viriato o faz (ou deveria).
Mas agora não.
Agora existe este vazio de alma presente, esta falta de algo nosso que a nós não pertence.
E esse algo, para mim, és tu.
É quando me afasto de ti que o sinto e logo tento recordar com carinho o teu sorriso inocente que não sabe os desejos que consegue rebentar em peitos alheios, que tento lembrar a doçura dos teus olhos e a forma como, marotos, se atrevem a ser loucos e divertidos. Ahhh e o teu cheiro e a candura das palavras doces que rebentam no meio das loucuras que dizes.
Recordo o teu sono calmo, o teu acordar, o teu sorriso matinal. Desejo o sabor da tua boca as dentadinhas apetitosas e beijoqueiras que so tu sabes dar.
É estranho... é este sentimento que me é estranho - a saudade... e não, afinal o estranho não és tu. Serei eu estranho?
E depois invadem-me dilemas e aventuras, tramas e enredos em que tu protagonizas romances e aventuras lascivas e luxuriosas com outros e rio-me. Sim, rio-me de me importar com isso. Rio-me de ser fraco e ser tão humano como não me julgava. Rio-me porque estou a aprender a olhar para outro de uma forma diferente.
Mas não há pressas nesta busca que desejo. Já não me sinto atraido pelo relógio atrasado do coelho daquele pais de maravilhas em que sempre achei que vivia. Tenho calma e essa calma ajuda-me a não desejar o fim da busca mas a apreciar a busca a cada detalhe.
E estou nervoso e gosto. E estou tonto e quero estar. E estou envergonhado, ameninado, apatetado e nada me importa tanto quanto o querer beber cada segundo que me sinto assim. Por ti. Por este novo eu que vou conhecendo. Por esta forma saudavel de redenção às vontades de um peito em chamas.
Sim, ainda não deixei de sentir o que senti nas primeiras horas que te espiei e nos aproximámos. Aquelas vontades animais, eroticas e carnais de te beber de um trago, de te trincar de desejos e de me dar a ti. Mas guardo esses desejos em mim; na tua presença sinto-me como numa hipnose profunda, embebedo-me em ti e anseio com calma que essas vontades serão saciadas num futuro próximo que me prometo que exista.
Não sei se por não me conseguir perder nos lençois esta noite ou se por ter de dizer a alguém e não saber a quem o que me aturmenta de forma tão positiva estas ultimas semanas, que te conto estes meus pensamentos que talvez devesse reservar. Mas sou, como ja to disse antes, um pequeno jovem sozinho e perdido que não sabe bem que chão tem pisado e como o deve continuar a pisar.
Se errei por te escrever esta declaração estranha de afecto, as minhas desculpas mais profundas e sinceras. Mas também são sinceras todas as outras palavras, tal como inocentes e sem qualquer oportunismo ou vontade estranha.
Apenas uma forma de explicar o que quero dizer com o tão repetido “Gosto de ti!”. Quero-te presente em mim. Hoje, agora e muitas vezes.
Talvez o tradicional correio fosse a forma mais apetecivel de te enviar tal texto, mas acho que o moderno e electronico e-mail também fará bem o seu seviço e não dará um ar incorrecto de “carta de amor”... como alguém cantou em tempos cartas que apenas levam “pedaços de dor sentidos por alguém”. E não é dor o que sinto é esperança e alegria no que me deste a conhecer: um novo pedaço de mim mesmo.
Sim é verdade que “não sei o que fazer desta saudade”. Mas no mesmo fado encontro a melhor coisa a fazer: “olhar o mar à tua espera”e tentar não lutar pois não há nada com que lutar ou pelo que lutar, mas sim, aguardar se um de nós anunciará a primavera. Aí este jogo poderá ser transfomado numa nova narrativa e então estarei a percorrer novos caminhos e a partilha-los, se não... o que tenho agora já é tanto para quê querer mais?
Um beijo

“No vento que lança \ Areia nos vidros; \ Na água que canta; \ No fogo mortiço; \ No calor do leito; \ Nos bancos vazios; \ Dentro do meu peito \ Estás sempre comigo.”

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